Você é aquilo que te definem…

Na hora de votar, te chamam de ELEITOR
Na hora de comprar, você é CONSUMIDOR
Na hora de rezar, você é um ADORADOR
De dia na rotina, você é TRABALHADOR
Quando tem futebol, você um TORCEDOR
Se tem teto pra dormir, você é um MORADOR
Se precisam do seu sangue, você vira DOADOR
Na hora da novela, TELESPECTADOR
Fevereiro tem folia? Vale tudo sem PUDOR
Se te pagam uma miséria certamente é PROFESSOR
Se anda junto com a boiada, teu futuro é PROMISSOR
se quer comprar algo mais caro, desista SONHADOR!
Eu que escrevo neste blog, sou um AMOTINADOR

Mas se você decide não jogar o jogo neste sistema falacioso; se dejesa por pouco mudar esse substantivo adjetivo que usam pra te classificar como a uma bactéria, a rima acaba e te chamam de VAGABUNDO, MÚSICO, PREGUIÇOSO, SEM FUTURO… Nos dias de hoje não sei mais a diferença…

Meia noite em Belo Horizonte

Quem sabe nós somos a vanguarda
de uma nova geração
A ressonância percorre as nossas veias
Pulsando em um mesmo tom

Semana passada eu fui assistir ao filme “meia-noite em Paris” estrelando o grande sucesso (sem sarcasmo) de Owen Wilson. No filme, o protagonista é um roteirista hollywoodiano que viaja com a noiva/namorada (não me lembro muito bem) para a França, e lá começa a escrever um romance sobre um cara que trabalha em uma loja de objetos retrô e antiguidades. O protagonista vive um conflito do passado com o presente, pois é facinado com o antigo e o presente não o atrai muito, até que ele pega um taxi mágico que o leva ao século 20 sempre à 00h00. Assista ao filme e tire suas conclusões.

Apesar de gostar muito, não sou um bom crítico de cinema, motivo pelo qual não vou me valer de mais detalhes sobre o filme, mas acho o tema abordado muito interessante, pois volta e meia me pego conversando com algum amigo sobre “como antigamente as coisas eram melhores”. As pessoas tendem a se agarrar de certa forma ao passado, ou a uma determinada época em que elas “eram felizes e não sabiam”. Esse mundo de “” que vou abrindo é pra evidenciar o que eu sempre escuto e não dou muita razão. Discurso nostálgico pronto pra mim é imcompletude do pensamento e falta de vontade/coragem pra seguir em frente. Como músico amador que sou, falo muito de música e percebo que quem tem o mesmo gosto musical que eu, tende a achar que a música está morrendo e que já não se fazem mais músicas como antigamente, e, principalmente,  que hoje qualquer zé mané faz uma música tola e vira sucesso. É verdade! em parte concordo, mas devo discordar que a música esteja morrendo. A música nunca vai morrer se separarmos devidamente o joio do trigo. Não é só porque o cara que você gosta de ouvir não está nas rádios ou no D*m*ngão do ****** que não tem música boa por aí. Hoje em dia é muito mais fácil conseguir música legal e ilegal do que antigamente. Me lembro que na minha adolescência (hoje tenho 23), não havia internet e eu tinha que juntar grana pra comprar meus kassetes e meus vinis, e posteriormente meus CDs.

Eu trocaria meu dinheiro pra voltar no tempo

Se o passado eu pudesse mudar

A música não morre, o que morre é a nossa vontade de procurar o que a mídia não divulga. Queremos que tudo venha a nós. Estamos acostumados com isso. Cadê aquele romantismo de pegar um CD ou um vinil e ler o encarte enquanto se ouve a música? Você para escutar música, ou o faz paralelamente a uma outra atividade? Cadê aquelas festas no apê, aonde rolava um Rock ‘n’ Roll e todos fechavam os olhos no escuro, ao som da guitarra distorcida e da voz do Roger Waters e do Syd Barret?

Quando penso que a música poderia dar um salto de qualidade, penso que eu posso ser aquele que vai fazer isso. O mundo hoje muda muito depressa com a velocidade da informação e há muita coisa a ser escrita. Há muita coisa boa a ser lida também. Não vai sair nada de novo se ficarmos presos a uma época, porque escrevemos e expressamos o que vivemos, e vivemos no hoje. Quem vive do passado é professor de história. Se tá tudo ruim, bom pra nós, estamos com a estrada limpa a frente e podemos ser os melhores de nosso tempo, acho que já somos estes vanguardistas. Estamos com a faca e o queijo na mão, mas preferiomos comprar aquele que já vem cortado e plastificado. Vou escrevendo minha música e continuando com as minhas composições independente do que tá pintando por aí nos dias de hoje. Pior seria ter que competir com Bethoven, The Beatles, Pink Floyd, EngHaw, Oasis, Queen, Gun’s… esses caras são samurais, faixas pretas… eu ainda estou graduando na arte de falar o que penso.

Me despeço deixando a letra de uma música que compus a uns anos atrás.

Um lugar diferente, um humor diferente
Uma alma carente, uma idéia latente
transparências que um sorriso não consegue esconder

O cansaso das horas fixado na mente
o melhor da rotina é o furor eloquente
de uma piada na lanchonete

Mas quem se julga onipotente falou
que o trabalho enobresce o homem
e quem sou eu pra duvidar?

O seguro já morreu de velho
e enquanto eu puxava carroça
a minha Dulcinéia fugiu com um velho burguês

Corra enquanto é tempo, não conte a sorte
Não fique parado, esperando pela morte
Deixando sua vida virar….uma reprográfica

Mas quem se julga onipotente falou
que o trabalho enobresce o homem
e quem sou eu pra duvidar?

Eu não sou pago pra sonhar
não recebo pra pensar
também não ganho pra falar
O meu dinheiro é pra comprar

Eu não sou pago pra sonhar
não recebo pra pensar
também não ganho pra falar
e a minha vida é uma reprográfica

No taxi que me trouxe até aqui Noel Gallagher me dava razão:

Slide away and give it all you’ve got
My today fell in from the top
I dream of you and all the things you say
I wonder where you are now…

Certas incertezas me deixam certo de que estou no caminho errado, ou tudo isso ao contrário.

Faltam três dias pro calor da selva e o ar rarefeito das montanhas andinas fazerem efeito em mim e ver se concerto essa cabeça torta que deseja coisas que não pode ter… que estão fora do alcance… SOROCHI PILL, SAVE ME… Sei que tudo vai passar, mas não sou passarinho.

A nós, análogos

Eu sou o eco do seu grito
Ou a confusão da sua alma
Ou a dança que a gente dança
E ninguém nunca bate palma

Ou o silêncio que as vezes
Pesa sobre nós
Ou as suas alvas mãos
Que me seguram e desatam os nós

Ou só contradição,
Ou toda condição,
Ou todo sonho que sonhamos sós.

Sei lá o que sou,
Sou a cidade em pó
E o mundo estendido pelo chão

Eu sou pirata só,
que fecha um olho
Para com o que lhe resta
Enxergar melhor

E você é o que há ao meu redor
E eu vim então,trazer-te companhia
E o que restou da poesia,
Pra você se embriagar
Depois que a festa acabar
E todo mundo descobrir-se só

Depois que todo laço virar nó
Tome do meu copo um gole de cerveja
E veja,que sou pura pressa e dor
Sinta como pulsa a minha rebeldia
no seu peito rock n roll
Tome do meu copo outro gole de cerveja
E veja,como pulsa a minha rebeldia amor

Eye of the storm

At night, when I lay down over the pillows, I don’t close my eyes immediately. Instead of it, I glare into the darkness and see it laying its eyes upon me back, giving me permission to focus only on the silence. Then, a voice fiercely busts inside my head like a thunder, telling me dreams I would not dare to dream by myself. Despite the high tune of it, it whispers softly, directly, abruptly… ghastly as the night itself. And it says:

I know who you really are and you can’t trick me, for I am the master trickster. I can see through you like a crystal glass so there’s no point in lying. I saw you rest your peaceful eyes in the darkness. All around you, past and future turned into chaos. In the middle of your desperation you ran away to a place where you couldn’t see it coming. You ran to the very center. You ran to the eye of the storm. Don’t matter how you feel about it, you’ll have to leave sometime and, when you do, things will get heavy. This storm you’re making will twist your foundations and probably change your fate for evermore, so take a deep breath and look at your sinister. Face your dragons and go forth.”

As I gazed to that astonishing storm, I could feel it growing stronger, unleashing electricity. So, I stood there with a grim and betook myself to the mysterious corners of the brain but still I shivered in cold, for the storm was as cold as the heart of the Devil itself. When I finally saw the center, the air grew heavier with my approach. I though in the people that mattered to me and endeavored to resign myself cheerfully to death¹, for at last, a glimpse brought me back to my bed.

Anxiety

Anxiety was the word I was looking for all the time to describe my feelings; to understand the pressure. The expectation of something I could not foresee turned my mad laughter into pure panic and there was nowhere to go. All things stopped making sense. There was no judgment at that point.

I stopped to hear that haunted voice

It abandoned me to my faith, or to my lack of it, leaving me with many thoughts floating in the griever’s sea, alone.

Finally, I revolved these circumstances in my mind and determined to go forward in applying myself more particularly to find the voice, to find the truth. Only to find there ain’t no truth.

As I gave up the search and closed my eyes again, the whisper came so close to my ears that all my body froze instantly.

Paralyze, I managed to only whisper back the words: “Where have I gone wrong?” Then, the voice answered: “This is going to take more than one night. ²”

Finally, I embraced my darkest, ghastly and hollowed terrors and accepted the fact that I was in the eminence of giving the first steps into an uncertain fate.

(Texto por Gabriel Muzzi)

¹ (Mary Shelley – Frankenstein) – ² (Charles M. Schulz)

(eye of the storm – by Lovett)

(eye of the storm – by Lovett)

Eu preciso…

Desculpe-me o solecismo, mas me sinto por hora um sujeito sem predicado. Minha mente  é um verbo transitivo na primeira do singular procurando desesperadamente por um complemento…

…pelo que me complete.

Nota postuma: nada mais plural que o singular

To na fila…

Semana passada, fui ao cinema. Foi uma experiência sem igual. Abri o roupeiro e lá estavam as minhas camisas, passadas em cabides e enfileiradas. Peguei as chaves do carro e saí pensando se pegaria transito ou não. Até que a rua estava tranqüila então não tive maiores problemas, não fosse a gasolina que já estava chegando ao fim. Parei no posto atrás de dois outros carros e tive que esperar um pouco até que aquela fila acabasse e eu pudesse abastecer rápido para não chegar atrasado à sessão.

Entrei no shopping e estacionei o meu carro rapidamente para então me dirigir ao piso do cinema. Chegando à bilheteria, vi que tinha uma fila enorme para comprar o ingresso, mas como queria ingressar-me ao auditório (afinal este era o propósito de minha visita), esperei pacientemente pela vez de ser atendido. Assim que consegui o bilhete, dirigi-me ao local de espera das salas e vi um aglomerado de pessoas. Descobri que elas estavam fazendo fila para esperar o filme começar, mas ainda faltavam 45 minutos. Entrei no meu lugar é claro, para garantir um bom assento e não ter problemas maiores com dores no pescoço.

Assim que a linha começou a andar e finalmente recolheram o meu bilhete, fui direto pra sala fila da pipoca agüentar 15 minutos, para só depois sentar no meu lugar, em uma fileira de cadeiras.

Acabada a sessão e alegre com o filme que tinha acabado de assistir, me veio aquela reclamação estomacal e eu sabia que queria dar um pulinho na praça de alimentação. Eu sabia que queria teria que enfrentar a fila pra comprar o lanche e depois a fila pra pagar.

Acabado o lanche, fui ao banheiro e vi que este era pago, então tive que enfrentar uma fila para comprar fichas e uma vez lá dentro, tinha a fila para os mictórios e depois para lavar a mão. Meu dia estava ótimo.

Passei em frente a uma loja, e vi aquele tênis que eu gosto, mas me recusei a esperar para prová-lo, depois que o vendedor me disse tinham duas pessoas na frente para experimentar, e que eu teria que aguardar na fila para o seu posterior atendimento. Naquela cólera meus amigos, saí da loja em revolta perante a petulância do vendedor que nada fizera de errado. Acho que o problema era comigo mesmo.

– Pronto! Vou embora – falei comigo ao caminhar para o caixa rápido, que tinha uma fila de 5 pessoas que somaram 7 quando apareceram 2 idosos ao lado, esperando pelo atendimento prioritário.

Saí enfurecido do caixa, e fui enfrentar a fila de pagar o estacionamento, para pegar o carro e enfrentar a fila de sair do shopping, para depois pegar a cidade engarrafada até minha casa e ficar em uma fileira infinita de carros, que amontoados a minha frente formavam aquela onda vermelha de luzes de freio. Passei na farmácia rapidamente e enfrentei a fila do balcão e do caixa para comprar um remédio de dor de cabeça.

Ao chegar, meu pai me perguntou como foi o filme e respondi que tinha sido péssimo, e que eu estava de mau-humor,  precisando um banho para me deitar, quando ele disse: – Pode até tomar um banho depois, pois agora sua irmã já está tomando e eu sou o próximo da fila.

Com aquela calma que só o desespero trás, peguei a mochila e saí de casa a pé. Nu. Despido de qualquer contato com essa raça de fazedores de fila.

Tomei nota de que vida confortável é o que as formiguinhas vêem na novela das grandes emissoras, quando chegam a noite da colheita; e vão seguindo assim, alimentando a Rainha, que se ocupa somente de construir mais operários… obedientes, alienados.

Quando você nasce, te colocam juntos a outras camas de outros bebes na maternidade lado a lado. Quando você morre, o caixão que você dorme segue um corredor fúnebre que nada mais é do que um rol de pedras enfileirado.

Se você formiga, não enlouquece no fim do dia, não vai entender este texto, ou porque de vez em quando eu saio da marcha, de vez eu perco a linha.