Rehab

Sentei no bar, era uma noite que não prometia muito. Meus amigos, os poucos que tenho, estavam particularmente desanimados com aquela quarta-feira maluca, do meio do mês de abril. Tomamos cerveja e rimos até, contamos piadas e fizemos tudo o que a lei dos botecos manda.

Estava com a cabeça cheia de coisas, muitas delas não tinham nem muito sentido, mas eu não me importava muito. Na mesa ao lado, tinha uma turma jovem de garotos e garotas alternativas, e uma delas me chamou a atenção de um jeito estranho…

Ela tinha a pele branca, cílios grandes, os cabelos pretos muito escuros, estilo Amelie Poulain e um batom rosado…muito charmosa. Essa garota ria do que os seus amigos falavam, mas volta e meia seus olhos se viravam pra nossa mesa e eu senti que ela também reparou em mim.
22h50. Meus amigos começaram a se despedir, e eu não tava nem um pouco afim de ir embora. Pediram a conta e eu fiquei lá, sozinho. Agora, ela me olhava com curiosidade e eu já tava ficando impaciente, então levantei meu copo e sorri pra ela. Pra minha sorte e espanto, ela se levantou e se sentou ao meu lado, se apresentando.
Não sei o que deu mim, mas naquela hora me lembrei dos RPGs que jogava, e resolvi dar uma inovada naquela cena:

-Meu nome é Isaac! Disse com firmeza e de começo já havia me arrependido, mas já foi tarde demais pra desfazer tudo, tinha que continuar, naquele ponto a minha imaginação estava a mil. Pensava em vários cenários e fui construindo um personagem de acordo com o que ela ia me contanto sobre sua vida. Ela é publicitária e tem 29 anos. Mora sozinha em um Ap perto de onde estávamos.

23h30 os amigos dela foram embora, se despediram de nós, deram aquela risadinha pra ela indicando o famoso “tô te vendo” que me constrangeu um pouco e eu ri de volta sem graça. O papo tava ficando mais interessante e intenso, quando ela finalmente deu a dica: uma olhada muito furtiva e quase imperceptível aos meus lábios me deram um resumo do que estava por vir. Não demorou muito para que nos beijássemos e eu já estava perdido no meio de tanta confusão, mas ela não. Ela sabia exatamente o que queria. Pagamos a conta no bar e eu caminhei com ela naquela noite fria, até o seu apartamento.
Na portaria do prédio fui me apressando a despedir-me e reparei que seus olhos estavam pegando fogo. Ela fingiu preocupação, não queria que eu fosse embora pra casa tão tarde e disse que tinha um sofá lá em cima. Hint number two.

Got white skin, got assassin’s eyes
I’m looking up into the Sapphire-tinted skies
I’m well Dressed, waiting on the last train

Subimos o elevador em um silêncio estranho. Eu olhando para o chão, braços cruzados e ela arrumando o cabelo no espelho. Demorou um ano inteiro para chegarmos no corredor. Ela abriu a porta do apartamento e eu entrei. Ela passou a chave na porta e jogou a bolsa no chão. Half-minute and we were half-naked. Do chão para a cama, não sei quanto tempo foi. Mas fiquei depois deitado olhando para aquele corpo de bruços que na meia luz do abajur parecia uma escultura de mármore branco e pensando: – Aonde é que eu estou?

1h04 – meu celular no criado mudo ao lado dela apitou indicando uma nova mensagem.
-Não vai olhar? ela perguntou. – Não estou a fim agora. Respondi com preguiça.
– Mas e se for importante? ela disse. – Importante pra mim é aqui e agora. Retruquei.

Ela não se satisfez com a resposta e pegou meu celular. Estava mais familiarizada com a tecnologia dele do que eu. Leu a mensagem em voz alta o no final perguntou:
-Quem é ela? – Ela não é você. Respondi.
– É sua namorada? – Não.- Eu acho que é-
Eu acho que não. Respondi meio puto. -Mas e se for? ela perguntou
– Se ela for, estamos nós dois fazendo algo errado.
– Como sabe que tenho namorado?

– Tirando a linha branca no seu anelar direito? não tenho certeza se aquelas duas escovas de dentes no banheiro sejam suas, nem aquele chinelo havaianas 41 atrás do sofá, mas não eu não tenho namorada.

O que há de errado com essas garotas que namoram hoje em dia? Eu não ligo de enganarem os namorados, ligo de enganarem a si mesmas. Fiquei na dúvida se o Isaac era fruto de uma aventura ou de uma frustração dela. Quando ela me contou um pouco sobre os dóis, quase quase a pedi que rompesse com ele. Mas mantive minha opinião para mim mesmo, como de costume.

Fomos pro sofá da sala e ela abriu uma garrafa de vinho. Era um vinho caro, que ela disse ter trazido da Espanha. Eu disse a ela que queria ir ao show do Bob Dylan, mas que haviam coisas que me impediam. Ela me disse, Don’t worry baby, tenho uma coisa que vai te animar. Ela tirou da gaveta do móvel da Sala o CD “The times they are A-changing “- E colocou a música “Only a Pawn in their game”, uma das minhas preferidas do Dylan.

Fiquei lá dançando, tomando vinho e rindo silenciosa e ironicamente da minha própria desgraça, e pensando que se talvez o mundo acabasse naquele momento, pra teria valido a pena.

The deputy, sheriffs, the soldiers
The governors get paid
And the marshals and cops get the same
But the poor white man’s used
In the hands of them all like a tool

Ela me perguntou se eu não me importava que ela namorasse, e o que havia de errado comigo. Disse que eu era diferente. Eu a respondi que não. Não me importava com nada sobre ela ou sobre o passado dela, afinal, eu mesmo estava ali somente como um recipiente que naquela noite abrigava um cara estranho a mim mesmo, o Isaac.

Voltamos pra cama e ela me chamou pelo nome do cara, do Isaac, e eu me vi pela primeira vez, assistindo a um ato a que eu mesmo era o protagonista. Isso me fez começar um riso descontrolado e ela me acompanhou para minha tristeza e alegria. Passei em casa às 7h30, peguei a mochila e voltei a ser eu mesmo. Se é que eu sei quem realmente sou.

Sonho de metal

Mata adentro, na selva braba
árvores de metal
Vigilancia, cerca elétrica
livrai-nos de todo mal

Pós moderno, cinza claro
realidade surreal
Aonde eu me encaixo?
Dentro deste temporal

Como as folhas que caem no outono
Eu me jogo de joelhos, eu enceno abandono
O tracejado infinito da tua linha amarela
é a loucura ao qual me proporciono

Como um vento gelado de inverno
Eu me agarro a você num temporário amor eterno
Eu faço festa pro teu canto
e não confio no teu santo
Apenas sigo o meu caminho e vou

Se reprimem, o ano inteiro
acham tão normal
O pecado come solto em fevereiro
e se arrependem logo após o carnaval

A quarta-feira não amanheceu cinzenta
Mas o chão amanheceu com cheiro de Alcohol
Eu não vou fazer quaresma
Vou fugir desse temporal

Como um dia azul de primavera
Eu me distraio com a tua gentil atmosfera
E o tracejado infinito da tua linha amarela
Me guia até o por-do-sol

Como uma noite quente de verão
Eu me embalado facilmente no calor dessa canção
E eu vou deixando o seu metronomo
guiar o meu coração

Perhaps

 

Soul mate? I don’t believe in supernatural or this fate crap; in fact, I don’t even have a soul  in first place… But I tell what I believe. I believe that  somewhere out there… someone’s  looking at the same grey skies, thinking that her life is passing by, and wishing we could do something else. Go someplace else.

She might be someone like me, who looks at this screen screaming: “HELP!!”.Maybe this person will take my breath away. Maybe I’m already breathless. But…isn’t most of this a BIG maybe?!?!?

Maybe I’m too blind. Maybe I’ll come back to the other side. Maybe I’ll wave as my youth passes by. Maybe I’ll fall and maybe I’ll rise.

but maybe, just maybe, you’ll see me trough the plane’s window and you’ll know you lost me to myself. Maybe that’ll be to you, my sweetest  farewell.

 

 

Minha Rebeldia

Eu sou, o eco do teu grito
Ou a confusão da tua alma
Ou a dança que a gente dança e ninguém nunca bate palma

Eu sou, o silêncio que às vezes
Paira sobre nós
Ou as tuas alvas mãos
Que me seguram e desatam os nós

Ou só contradição
Ou sou toda condição
Ou todo sonho que sonhamos sós

Eu sei lá o que sou
Eu sou a cidade em pó
Ou o mundo estendido pelo chão

Eu sou o pirata só que fecha um olho
para com o que lhe resta enxergar melhor

E você é o que há ao meu redor eu vim então,
Trazer-te companhia e o que restou da poesia
Quando a musica acabar depois que a festa terminar
E todo mundo descobrir-se só

Depois que todo laço virar nó
Tome do meu copo um gole de cerveja
E veja que eu sou pura pressa e dor
Sinta como pulsa a minha rebeldia
No teu peito Rock ‘n’ Roll

Tome do meu copo um gole de cerveja
E veja que eu sou pura pressa e dor

Sinta como pulsa a minha rebeldia
No teu peito Rock ‘n’ Roll

Aonde foi?

Aonde foram todas aquelas palavras mágicas, agora que eu preciso tanto? Aonde anda aquele seu jeito doce de alegrar? Chama ele aqui, fala que eu to com saudade, faz ele voltar. Fala para aquele danado que sem ele eu to no sal.

Pra onde foi aquele abraço simples, cúmplice, que costumava fundir nossas vontades e no enganar direitinho, no deixando à margem de um futuro incerto, cheio de cores….cores pretas e brancas?

Aonde se esconde aquele sorriso? Que traduzia aos meus olhos leigos um pouco da felicidade quando se mostrava e prometia o mundo.

Procuro também pelo nosso som. Você o viu? Claro que não besta! Som a gente ouve, mas já faz tempo que eu não ouço nada, e nesse silêncio, vou ficando tanto tempo sem entender as coisas que começo a perguntar sobre tudo como uma criança que tenho certeza que ainda sou. E com tantas dúvidas, não tenho dúvidas que elas se convergem em uma só: Aonde está você…

Round road

“Não adianta correr pra alcançar o seu destino. Neste mundo redondo, o fim do caminho é o ponto em que partimos, e quando chegamos, partimos de novo, com um sorriso no rosto e o coração na sola dos pés” (Gabriel Muzzi)

Tapete Voador (Lyrics)

Ouvi falar que a minha vida, é uma grande mentira
contada por “homens bons”
Que também contavam juros
em uma mesa de escritório
e escolhiam as crianças que iriam para Herodes

Só sei falar o que me disseram
pois há uma sombra na caverna e pra fugir daqui,
eu tenho que correr pra luz
e depois destes anos longos
você vem com esse papinho cafajeste
me dizendo que cada um carrega a sua cruz

Mas aquele velho homem falou
que o homem só dá valor às manhas
quando a noite já o fez sofrer
e nos reconditos de sua mente
ele não sabe o valor, que o sofrimento tem a nos oferecer

E quando você estiver, feliz no seu oasis
lembre-se que o deserto corre em volta de você
Quando você estiver, feliz no seu oasis
olhe pra baixo e me de um thcau do seu tapete voador

E quando você estiver, feliz no seu oasis
lembre-se que o deserto corre em volta de você
Quando você estiver, feliz no seu oasis
olhe pra baixo e me de um thcau do seu tapete voador