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Como as estações


Como as folhas que caem secas no outono, eu me jogo de joelhos, eu enceno abandono                                E o brilho sempre tão intenso dos olhos cor-de-mel é a loucura a qual me proporciono

Como o vento que vem frio no inverno, eu me agarro a você nesse abraço tão eterno                                 E na ternura dos seus braços é onde eu me satisfaço, e tudo fica tão real

Como um dia azul de primavera   Eu me envolvo e sinto paz nessa sutil atmosfera                                      E o tracejado infinito dessa linha amarela, nos guia até o por-do-sol

Como uma noite quente de verão, Eu me embalo facilmente no calor dessa emoção                                        E eu vou deixando o seu metrônomo guiar, o meu coração

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The dream

“That holy dream- that holy dream,
While all the world were chiding,
Hath cheered me as a lovely beam
A lonely spirit guiding.”

(Edgar Allan Poe)

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It was a a sunny morning and Simon was taking breakfast in his kitchen when Angie walks in Saying: – Simon, You got to come outside now!

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            – Why? What is it outside Angie? I’m having coffee, do you want it too? He replied.

            – No, thanks – Said Angie – But we could finish your breakfast up in the sky. what do you think?

            – Alright Angie, you’ve got my attention. let’s go outside.

 
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            As they walked outside, Simon noticed this huge balloon landed right in his backyard, with the rope tied up to a rock on the ground. Angie was so excited about it that she dragged Simon by his arms and said:

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            – But I never did that before. Do you think we can do it by ourselves? Asked Simon.

            – Of course we can. I’ll go aboard the balloon while you cut the rope and set us loose, okay? She asked.

            – You got it! Said Simon.

           Simon had just cut the rope and he was preparing to come on board when he realized that he forgot their breakfast back in the kitchen, so he ran there to get it, but when he got back to backyard, there were nothing in there. The balloon has gone, Angie has gone with it too. He looked up above and there she was, up in the clouds. Simon’s phone rang and it was Angie.

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            – Hey, you got to help me up, I’m up here. She said

            – I’ll bring you down Angie! He replied.

 

            And so Simon got in his airplane and started to fly towards the balloon, but just when he was too close, he ran out of gas. The airplane begun to fall down so he had to deploy his parachutes to avoid the paramedics to have scrape him off the floor.

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            As soon as he landed, he saw a bunch of ducks hanging out next to his backyard and had the insane idea, like those you only have in dreams, to grab one by the leg and make it fly with you, but surprisingly it worked out pretty well, or would have, if it wasn’t by the fact that the duck got so exhausted that he started to descend again – just moments before they reach out for her – and dropped dead on the floor as soon as Simon landed again. #RIP my duck friend.

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Simon even tried to go on a rocket, but the rocket went up to fast, and so he had to jump down, and luckily as he was falling, he managed to grab the balloon and climb in the basket.

 

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Angie got so relieved that she wasn’t alone anymore that she even forgot she was mad at Simon.

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But now they were there, in that floating rag, wondering the night sky. Angie looked at the stars and felt sad.

            -It’s too quiet in here. She said – I don’t think is funny to fly anymore. I want to go down.

            – I can’t make it go down Angie. I’m so sorry that this is happening. I’m afraid we are going to have to jump.

            – No! I don’t think is a good idea. I’m scared to jump. She said;

            -What choice do we have? Asked Simon in reply to her. – We can look for something soft to land on in our way down.

            – I don’t know about that but I trust you Simon. Angie said. – I will close my eyes and count to 3. Do not leave me alone again or I will kill you and throw salt in your grave

            – I won’t! I promise! said Simon.

 

And so they’ve jumped into an uncertain fate…

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Doubt

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Where are all those magic words, now that I need it so much? Where is your sweet way to cheer me up whenever you send a random dull picture? Bring it over here, tell it that I miss it. Tell it that without it I would become a zombie!

Where is your smile? That smile that is capable of translating to my stupid eyes some of the happiness while you grin and promise me the world?

I’m looking for our sound too. Have you seen it? Of course not your silly! Sound is something that we listen to! But it’s been a while since I hear anything, and in this silence,  I begin to wonder many things and among them, the ultimate question:

Where are you?!

Dia em branco

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“Talvez fosse apenas o grande calor do inverno para quem gosta de frio; talvez fosse apenas a imensidão do vazio nos pensamentos; talvez não fosse nada disso, mas naquela manhã de sol, o tudo despertou. Não havia nada a ser descrito. Naquele dia sem sujeito, não deveria haver objeto, pois não havia observador. No entanto, havia quem o narrasse. A licença que peço é para fazer uso do plano de um dia que era para passar em branco, sem significado, exceto pelo fato de que ali se começava a construção de algo. E quando digo ali, não me refiro a um lugar específico e sim a um tempo. Sem crônicas, contos, personagens, trama ou motivo.

Naquele dia, o papel continuou em branco na mesa, e pela primeira vez, eu não escrevi nada. Eu escrevi nada. E do nada, o tudo despertou.

A bola na janela e a velha infância

A bola bateu com força na janela. Quebrou a vidraça, sujou a cortina e entrou como um balaço dentro de casa. Foi encontrar seu destino na mobília, onde ornava um triste busto de Reia Sílvia. O busto se partiu em duas metades que caíram ao chão, derrubando consigo também algumas taças e garrafas. O estrago fora grande, e grande também fora a cólera do homem que vinha correndo e amaldiçoando o autor daquele barulho infernal. Logo ao entrar na sala, deu de cara com a causadora de toda aquela balbúrdia: A bola.

Era uma boa de couro, branca, simples, pouco murcha. Estava encardida por resultado dos milhares de pontapés recebidos ao longo das tardes ensolaradas daquela pacífica rua.

O velho, tomado pela raiva, quase não raciocinava mais, Só pensava em vingança. Pensava em como destruir e se vingar daquelas malditas crianças do pior jeito possível. Como a juventude pode ser tão tola e não se preocupar com os poemas problemas tantos que enchem o mundo? Só pensavam em si divertir.

Achou uma faca grande na cozinha e já se preparava para furar a bola. Olhou-a com calma, com frieza, queria saborear o momento. Virou para si a bola, e pode notar que em um de seus gomos haviam gravadas as iniciais que provavelmente identificavam a propriedade da criança dona da bola: GM. O que será que signficavam aquelas iniciais?

Sem ao menos piscar, ele não teve reação. Viajou uns 50 anos no passado e a primeira coisa que viu ao chegar lá foi a noite de natal de 1957. Ao abrir o presente na árvore, sua alegria foi grande ao ver pela primeira vez aquela bola de couro. Sua mãe, como já sabia que brincaria de imediato com a bola, escreveu em um dos gomos as iniciais do menino: GM, de Guilherme de Medeiros.

Foram muitos anos de felicidade com aquela velha boa. Quantas copas do mundo ele já havia conquistado? Em seus pés, o Brasil foi tri, foi tetra, penta, hexa e hepta, e ele foi o melhor jogador do mundo. Tampo do dedão? Tão descartáveis quanto guardanapos de mesa.

Passou das lembranças da bola para as outras brincadeiras e a enorme turma do bairro. Subir em árvores que eram grandes demais para eles. Eram desbravadores, piratas, exploradores, bandidos, cowboys, índios, astronautas, policiais, bombeiros. Não havia nada que os impedissem de ter uma boa aventura. Problemas? eles resolviam todos. Achavam tesouros, apagavam incêndios, Matavam os vilões, resgatavam as mocinhas, e se preocupavam muito com todos os problemas do mundo.

Lembrou-se de Cecília e de seu doce encanto. Nem sabia o que era o amor, não entendia o que sentia, só sabia que seu coração batia mais forte ao vê-la se aproximar e seu estômago brincava de fazer cócegas. Ao lembrar de Cecília, sua primeira paixão, lembrou do cheiro de Dama-da-noite que vinha do quintal de Dona Rosa, a bondosa senhora que vivia com seus gatos no fim da rua.

Sua infância passou diante dos olhos como um belo sonho e pensou em quantas janelas ele já havia quebrado com a sua bola branca de couro. Quantas travessuras, quantas aventuras, quanta diversão. Maldade não havia; apenas a pureza infantil de ser um menino feliz.

Quando voltou a si, olhando a bola em sua mão percebeu que a raiva que sentia não era sem razão: era por inveja daquelas crianças. Era a vontade de sentir de novo aquela alegria intensa que os pequenos da rua sentiam. Ao sair na rua com a bola nas mãos, os meninos e meninas sentiram medo e correram no começo, mas ao perceber que o velho fazia gestos de que ia entregar a bola, aos poucos foram se aproximando e puderam notar no seu olhar uma alegria ímpar, dessas que não se vê em todos os velhos que moram sozinhos.

Aquele senhor, daquele dia em diante, passava as tardes com aqueles meninos, observando-os no jogo de futebol e ensinando-os todas as brincadeiras das quais ainda se lembrava.

Daquele dia em diante, percebeu que os problemas do mundo foram feitos para adultos, e não para crianças e vellhos felizes. =)

Alguns Uais

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Cara, qual o sentido em levar uma vida separando papel de plástico e material orgânico, se no final vai tudo pro mesmo saco?

Qual o sentido em assistir um jogo de futebol que é decidido algumas semanas antes pelos patrocinadores, ou em algum momento dentro de campo pelo apito nervoso do juiz?

Qual o sentido em assistir de novo um filme que já se tem as falas decoradas?

Qual o sentido em comprar um Iphone quando os celulares pouco menos novos  tem lanterna?

Qual o sentido em trabalhar em prol de algo que nem se sabe o que é? Quanto vale o seu dinheiro?

Qual o sentido em ficar procurando sentido em tudo?

No creo en Brujas, pero que las hay, las hay

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Sorte, azar, sorte, futebol, religião, política… – nothing more than an ordinary succession of very natural causes and effects. ¹

 

“Castilhos, goleiro do Fluminense nos anos 50, era considerado muito sortudo. Perguntado a respeito das inúmeras bolas que batiam na trave, ele respondia que, na verdade, era muito azarado, pois a bola podia ir em infinitas direções e batia justo nos poucos centímetros da trave!

 

pra quem quer saber porque ganha e porque perde, esqueci de mencionar mais uma dificuldade: ao contrário dos esportes, na vida nem sempre é fácil distinguir as vitória das derrotas ²”

 

É fato que às vezes as coisas não saem exatamente como a gente quer e que por vezes a gente fica achando que não pode ser apenas por coincidência. Bom, não acredito em sorte ou azar, pero…

 

As escolhas que fazemos podem nos levar a vários caminhos como um grande efeito borboleta. Contudo, o final da estrada a gente não sabe e nem nunca vamos saber, e é nessas horas que entram os religiosos tentando garantir não só que haja outro lado, mas que esse outro lado também seja melhor que o lado de cá. Na verdade, essa cadeia incontrolável de causas e efeitos é como um repente que a gente tenta. Uma hora a gente acerta uma boa rima, na outra a gente se embola na metade, mas os versos não param de sair e um assunto vai levando a outro. É por isso que me dou ao luxo de errar bastante. Também não acredito em pecado, e se eu acreditasse, acharia que pecador é quem não faz o que quer, na hora que quer. Ás vezes da vontade de inventar palavras novas, rabiscar no chão e gritar bem alto, LIBERDADE, e quebrar as grades do portão. ³

 

Sorte ou falta de sorte é só ponto de vista mesmo, eu acho que temos que trocar de opinião mais do que de roupa (assumindo que a troca de roupa é diária rsrs). Sei lá, arriscar mais, ter menos medo. As escolhas certas podem levar a caminhos errados e vice-versa, mas as escolhas que nos fazem felizes, essas sim nos garantem satisfação. Momentânea?! Talvez, mas a vida não é feita de momentos??? E o desenrolar desses momentos é quando daqui a uns anos você olhar pra trás e dizer com orgulho: Porra! Amarelo e azul dá verde! fulano beija bem, ou realmente não era o “grande amor” (ou era, dependendo da ironia hahaha). Aquela estrada era realmente muito foda. Aquela comida era realmente muito ruim…troque a dúvida pela curiosidade. Mas não aconselho trocar o certo pelo duvidoso. Não há nada certo no mundo, e duvidoso é duvidoso. Experimente trocar a dúvida pela curiosidade. Vai por mim, curiosidade é se arriscar, dúvida é futuro do pretérito, e futuro do pretérito é deixar a vida passar diante dos seus olhos.

Como uma amiga disse em uma brilhante colocação, Mais triste que a negativa do “não” é a angústia do “se”.

 

¹ – Edgar Allan Poe – The Black Cat

² – Humberto Gessinger – Bloggesinger

³ – As cores deste quarto (música – André Martins, Gabriel Muzzi)