Arquivo para junho \21\UTC 2011

No taxi que me trouxe até aqui Noel Gallagher me dava razão:

Slide away and give it all you’ve got
My today fell in from the top
I dream of you and all the things you say
I wonder where you are now…

Certas incertezas me deixam certo de que estou no caminho errado, ou tudo isso ao contrário.

Faltam três dias pro calor da selva e o ar rarefeito das montanhas andinas fazerem efeito em mim e ver se concerto essa cabeça torta que deseja coisas que não pode ter… que estão fora do alcance… SOROCHI PILL, SAVE ME… Sei que tudo vai passar, mas não sou passarinho.

A nós, análogos

Eu sou o eco do seu grito
Ou a confusão da sua alma
Ou a dança que a gente dança
E ninguém nunca bate palma

Ou o silêncio que as vezes
Pesa sobre nós
Ou as suas alvas mãos
Que me seguram e desatam os nós

Ou só contradição,
Ou toda condição,
Ou todo sonho que sonhamos sós.

Sei lá o que sou,
Sou a cidade em pó
E o mundo estendido pelo chão

Eu sou pirata só,
que fecha um olho
Para com o que lhe resta
Enxergar melhor

E você é o que há ao meu redor
E eu vim então,trazer-te companhia
E o que restou da poesia,
Pra você se embriagar
Depois que a festa acabar
E todo mundo descobrir-se só

Depois que todo laço virar nó
Tome do meu copo um gole de cerveja
E veja,que sou pura pressa e dor
Sinta como pulsa a minha rebeldia
no seu peito rock n roll
Tome do meu copo outro gole de cerveja
E veja,como pulsa a minha rebeldia amor

Eye of the storm

At night, when I lay down over the pillows, I don’t close my eyes immediately. Instead of it, I glare into the darkness and see it laying its eyes upon me back, giving me permission to focus only on the silence. Then, a voice fiercely busts inside my head like a thunder, telling me dreams I would not dare to dream by myself. Despite the high tune of it, it whispers softly, directly, abruptly… ghastly as the night itself. And it says:

I know who you really are and you can’t trick me, for I am the master trickster. I can see through you like a crystal glass so there’s no point in lying. I saw you rest your peaceful eyes in the darkness. All around you, past and future turned into chaos. In the middle of your desperation you ran away to a place where you couldn’t see it coming. You ran to the very center. You ran to the eye of the storm. Don’t matter how you feel about it, you’ll have to leave sometime and, when you do, things will get heavy. This storm you’re making will twist your foundations and probably change your fate for evermore, so take a deep breath and look at your sinister. Face your dragons and go forth.”

As I gazed to that astonishing storm, I could feel it growing stronger, unleashing electricity. So, I stood there with a grim and betook myself to the mysterious corners of the brain but still I shivered in cold, for the storm was as cold as the heart of the Devil itself. When I finally saw the center, the air grew heavier with my approach. I though in the people that mattered to me and endeavored to resign myself cheerfully to death¹, for at last, a glimpse brought me back to my bed.

Anxiety

Anxiety was the word I was looking for all the time to describe my feelings; to understand the pressure. The expectation of something I could not foresee turned my mad laughter into pure panic and there was nowhere to go. All things stopped making sense. There was no judgment at that point.

I stopped to hear that haunted voice

It abandoned me to my faith, or to my lack of it, leaving me with many thoughts floating in the griever’s sea, alone.

Finally, I revolved these circumstances in my mind and determined to go forward in applying myself more particularly to find the voice, to find the truth. Only to find there ain’t no truth.

As I gave up the search and closed my eyes again, the whisper came so close to my ears that all my body froze instantly.

Paralyze, I managed to only whisper back the words: “Where have I gone wrong?” Then, the voice answered: “This is going to take more than one night. ²”

Finally, I embraced my darkest, ghastly and hollowed terrors and accepted the fact that I was in the eminence of giving the first steps into an uncertain fate.

(Texto por Gabriel Muzzi)

¹ (Mary Shelley – Frankenstein) – ² (Charles M. Schulz)

(eye of the storm – by Lovett)

(eye of the storm – by Lovett)

Eu preciso…

Desculpe-me o solecismo, mas me sinto por hora um sujeito sem predicado. Minha mente  é um verbo transitivo na primeira do singular procurando desesperadamente por um complemento…

…pelo que me complete.

Nota postuma: nada mais plural que o singular

To na fila…

Semana passada, fui ao cinema. Foi uma experiência sem igual. Abri o roupeiro e lá estavam as minhas camisas, passadas em cabides e enfileiradas. Peguei as chaves do carro e saí pensando se pegaria transito ou não. Até que a rua estava tranqüila então não tive maiores problemas, não fosse a gasolina que já estava chegando ao fim. Parei no posto atrás de dois outros carros e tive que esperar um pouco até que aquela fila acabasse e eu pudesse abastecer rápido para não chegar atrasado à sessão.

Entrei no shopping e estacionei o meu carro rapidamente para então me dirigir ao piso do cinema. Chegando à bilheteria, vi que tinha uma fila enorme para comprar o ingresso, mas como queria ingressar-me ao auditório (afinal este era o propósito de minha visita), esperei pacientemente pela vez de ser atendido. Assim que consegui o bilhete, dirigi-me ao local de espera das salas e vi um aglomerado de pessoas. Descobri que elas estavam fazendo fila para esperar o filme começar, mas ainda faltavam 45 minutos. Entrei no meu lugar é claro, para garantir um bom assento e não ter problemas maiores com dores no pescoço.

Assim que a linha começou a andar e finalmente recolheram o meu bilhete, fui direto pra sala fila da pipoca agüentar 15 minutos, para só depois sentar no meu lugar, em uma fileira de cadeiras.

Acabada a sessão e alegre com o filme que tinha acabado de assistir, me veio aquela reclamação estomacal e eu sabia que queria dar um pulinho na praça de alimentação. Eu sabia que queria teria que enfrentar a fila pra comprar o lanche e depois a fila pra pagar.

Acabado o lanche, fui ao banheiro e vi que este era pago, então tive que enfrentar uma fila para comprar fichas e uma vez lá dentro, tinha a fila para os mictórios e depois para lavar a mão. Meu dia estava ótimo.

Passei em frente a uma loja, e vi aquele tênis que eu gosto, mas me recusei a esperar para prová-lo, depois que o vendedor me disse tinham duas pessoas na frente para experimentar, e que eu teria que aguardar na fila para o seu posterior atendimento. Naquela cólera meus amigos, saí da loja em revolta perante a petulância do vendedor que nada fizera de errado. Acho que o problema era comigo mesmo.

– Pronto! Vou embora – falei comigo ao caminhar para o caixa rápido, que tinha uma fila de 5 pessoas que somaram 7 quando apareceram 2 idosos ao lado, esperando pelo atendimento prioritário.

Saí enfurecido do caixa, e fui enfrentar a fila de pagar o estacionamento, para pegar o carro e enfrentar a fila de sair do shopping, para depois pegar a cidade engarrafada até minha casa e ficar em uma fileira infinita de carros, que amontoados a minha frente formavam aquela onda vermelha de luzes de freio. Passei na farmácia rapidamente e enfrentei a fila do balcão e do caixa para comprar um remédio de dor de cabeça.

Ao chegar, meu pai me perguntou como foi o filme e respondi que tinha sido péssimo, e que eu estava de mau-humor,  precisando um banho para me deitar, quando ele disse: – Pode até tomar um banho depois, pois agora sua irmã já está tomando e eu sou o próximo da fila.

Com aquela calma que só o desespero trás, peguei a mochila e saí de casa a pé. Nu. Despido de qualquer contato com essa raça de fazedores de fila.

Tomei nota de que vida confortável é o que as formiguinhas vêem na novela das grandes emissoras, quando chegam a noite da colheita; e vão seguindo assim, alimentando a Rainha, que se ocupa somente de construir mais operários… obedientes, alienados.

Quando você nasce, te colocam juntos a outras camas de outros bebes na maternidade lado a lado. Quando você morre, o caixão que você dorme segue um corredor fúnebre que nada mais é do que um rol de pedras enfileirado.

Se você formiga, não enlouquece no fim do dia, não vai entender este texto, ou porque de vez em quando eu saio da marcha, de vez eu perco a linha.

Sem mais

Um leitor do meu blog me fez por email a seguinte pergunta hoje: “não me leve a mal, mas quem é você afinal de contas? você posta coisas que eu não sei se entendo.”

Ora, não me leve a mal, mas não me leve a sério. Sou invarialmente um paradoxo e definitivamente, um caso a não ser estudado. Hoje sou pouco do que achei que seria, e muito do que nem sei se quero saber.

Flor de julho

Como esta estátua sem sentido acima, eu tinha você na mira dos meus olhos frágeis, fatigados por ver tanta coisa errada e tanta gente feliz com isso. Eles enxergam bem, mas ainda não conseguem entender o que vêem quando você me alcança o raio de visão. Para mim, era mais importante que você fizesse as coisas que eu achava que deveria fazer do que simplesmente tentar ver o mundo aos seus olhos, que hoje me é mais atraente do que antes.

A vida não é matemática, com algoritmos invariáveis para que você não possa sair da linha de vez em quando. Minha teimosia é sem dúvidas uma de minhas muitas falhas e eu tentei me fazer de maestro sem conhecer as notas da orquestra. Devo aceitar que nossa relação é como o oceano, flui de acordo com a maré, mas não devemos nos afetar muito por isso…vou dar uma chance para a onda chegar na praia. Todos os conselhos que eu te dou são certos, mas aposto que funcionam muito mais pra mim do que para você.

Me fizeram ver que o melhor da viagem é o caminho, e se ela valeu a pena, o que você buscava pode até não ter tanta importância. Tudo o que é saudavel e nos faz feliz permeia uma linha de equilíbro. Fiquei sabendo que não há ordem sem o caos; não há descanso sem trabalho; não há música boa sem a música ruim.

Ao menos uma vez vou dizer o que tu deves fazer:  tente aceitar o mundo ao seu redor e entrar em sintonia com ele. Jogue fora o que não te serve, mas conserve e ame o que ainda valha a pena. Eu por minha vez, estava no caminho de virar uma pessoa amargurada e desgostosa com a vida, e a mim não me parecia uma coisa boa, mas vou levar a vida numa boa, vivendo um dia após o outro e torcendo de longe pelo seu sucesso. Vou te ver brilhar como brilham as nossas 5 estrelas e levar o brado das Minas pra terra do sol nascente.

Fato é que estaremos sempre juntos, mesmo que só no pensamento, e eu vou percebendo que o que você faz pode não ter sentido pra mim agora, mas se eu der um tempo, vai virar uma coisa linda e semear estrelas, tal qual a mesma estátua do começo, analizada em uma outra perspectiva.

Flora,  você tem meu apoio pra muito e desculpe se eu falhei contigo antes.

A minha pequena flor de julho, um beijo pra você querida.