Arquivo para março \30\UTC 2011

A valsa triste de uma vida que acabou

Eu já nem sei mais quantos anos se passaram
trancado dentro desta torre de terror
E neste exílio em que os meus olhos se fecharam
A minha loucura é o amigo que restou

No silêncio dos meus gritos sufocados,
A angústia é o meu catalizador
Porque olhas tanto em meus olhos além-túmulos?
Não ves que já não resta nada alêm da dor?

Eu costumava ser um amante do mundo
Aonde hoje deposito o meu rancor
Vou caminhando e entre passos morimbundos
sigo calado sem saber pra onde vou

A violeta que floria em seu vazo
Que perfumava a sua vida, seu amor
Hoje jaz seca ornamentando um triste quadro
presa na sombra do que foi seu esplendor

Enquanto os muros ao redor vão se fechando
Como um poema de Edgard Allan Poe
desfalecido enfim o corpo vai minguando
E extraindo a sanidade que restou

E me perdoe se meu canto não lhe agrada
Mas não me diga que minha voz não lhe tocou
Este lamúrio vai narrando oh minha amada
A valsa triste de uma vida que acabou