Arquivo para março \30\UTC 2010

quem dera Ela acendesse em mim o santo que não sou

Era uma terça-feira qualquer quando entrei naquele ônibus azulado que me levaria ao outro lado da cidade. Não estava nem vazio e nem cheio mas pude notar que tinha um lugarzinho no meio do ônibus com a janela vaga. Sentei-me e ao fazê-lo, reparei que ao meu lado era o único lugar vago. encostei a cabeça no vidro e com aquele sol de fim de tarde, acabei adormecendo. quando despertei na metade do caminho, senti uma cabeça nos meus ombros. Meu instinto foi logo de afastá-la, pois é super desagradável um estranho te tocando. Mas quando eu olhei para o lado, não consegui esboçar nenhuma reação. Seu rosto era como o de um anjo, sua pele parecia de veludo e ela dormia tão tranquila que simplesmente não tive coragem: deixei ela lá quietinha. Vez ou outra quando o ônibus movimentava de forma irregular, ela se ajeitava em meu ombro de tal forma que passado um tempo ja estava aninhada em mim, e eu, por minha vez, encostei mais uma vez com a cabeça no vidro e e fiquei lá, sentindo aquele cheirinho bom de xampoo.
Quando fomos entrando no bairro, ela despertou subitamente…queria que todas as mulheres acordassem daquele jeito, e meu instinto mais do que nunca queria que ‘ela’ acordasse daquele jeito ao meu lado.
– desculpa moço – ela me disse muito sem graça. – eu tava muito cansada, nem vi quando peguei no sono, e você poderia ter me acordado – disse ela. A leve vermelhidão do seu rosto a tornava ainda mais bonita acordada.
– eu ia te acordar, mas é que você tava dormindo tão bonita que eu não tive coragem; mas não tem problema, eu não ligo. – disse pra ela.
– você mora aqui no bairro?- ela me perguntou. – Não. Estou indo para a casa da minha namorada. – disse eu. Ela fez que sim com um aceno de cabeça e levantou e apertou o botão de parada do ônibus, mas não desceu antes de olhar em minha direção e dar pra mim um sorrisinho imprudente que deixou o meu estômago revirado e meu coração palpitante pelo resto do dia…Mas mais do que isso, aquele dia de sol vai ficar na minha memória por alguns anos, até que eu a encontre em uma esquina qualquer, só pra ve-la mais uma vez.

(preferi preservar o nome do personagem, para não comprometê-lo com a sua recém namorada, rssrsrs)