Arquivo para dezembro \30\UTC 2009

A sutil diferença……

O mundo é perfeito, um sistema bruto e imutável; e você minha pequena, é só mais uma que o defenderá com unhas e dentes. Tiramos um tempo pra contemplar o luar, e eu te mostrava as estrelas. Você deitada ao meu lado diante daquele azul marinho, me disse o quanto se sentia insignificante, pois havia muito a ser descoberto em tão pouco tempo, e que nunca realmente saberíamos o que nos aguarda além o véu azul-estrelado. Tentei não me envolver no momento, pois queria continuar lúcido evitando me entorpecer com o doce aroma que as árvores exalavam em agradecimento ao carinho que o vento as fazia. Lutei por poucos minutos até que devagar fui me desligando. Nostalgia. Árduo périplo se recompor e caminhar. Assento-me e a culpa invade, acho que ainda não me acostumei com tanta pureza; cresci em um mundo aonde lobos comem lobos, e pra não ser uma vítima, tive que fortalecer meu coração. Caminhamos lado a lado sem dizer nada. O silêncio não nos incomoda, nossa intimidade nos permite ficarmos calados, sem que fique uma situação desconfortante.

Olhamos à frente e vemos aquela velha estrada de terra se dividir em duas mini-estradinhas. Quando me perguntas se deveríamos seguir por caminhos diferentes, pego sua mão e sigo pelo caminho de onde ao longe pude escutar um banjo a cantar. Este é o caminho que deveríamos seguir, diz minha pequena e eu concordo veemente… A luz da lua é um conforto aos olhos, como um segundo sol, mas muito mais agradável. Ela me pergunta inocente, porque o luar é azul, se a lua no céu é branca? Durante todo o percurso noturno, fico imaginando qual resposta dar. Entre dentes, começo a cantarolar um bolero dramático, assim, como quem não quer nada. De repente, minha pequena se vira e me abraça me olhando nos olhos e consegue enxergar no abismo de meu pensamento, a pergunta que me agonizava, por não saber qual resposta usar. Ela me olha e me lança um sorriso pacífico e imprudente, me dizendo ao pé do ouvido que não se importava que a cor da lua fosse branca, e que sua luz fosse azul, desde que ela continuasse lá no céu a nos guiar, viajantes, nessa pequena estradinha de terra. Neste momento percebi que Sofremos demasiado pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos… Peguei o meu violão e fiquei ali, tocando a nossa canção, feliz porque essa noite está tudo bem, não precisamos nos preocupar; o mundo está completo se nós dois estamos juntos para enfrentá-lo.

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Por enquanto, ando só.

Eu percebi que já nao dá mais
a vida vai passando e os sonhos ficam para trás
quero saber o que vem além da curva
nossos sonhos de criança não nos interessam mais

eu percebi que tanto faz
um dia ou uma semana, é só um tempo a mais
mas quanto tempo falta pra gente ser feliz?
quanto tempo falta pra ficarmos em paz?

eu não quero ser só mais uma cratera na lua
eu não quero saber quem vem no final daquela rua
eu não ver o pote de ouro no final do arco-íris
neste dia chuvoso de sol

não posso desistir, tenho que correr atras
o tempo que eu tenho é esse e esse tempo já não volta mais
tudo em paz, vou seguindo meu caminho
construí a minha estrada agora tenho que seguir sozinho

não posso reclamar não nem pra onde ir
eu pedi pra ela ficar, e por minha vez, resolvi partir.