Arquivo para setembro \02\UTC 2009

Scrap (navegante da ilusão)

Ontem eu parei perto da minha faculdade, e um Hippie que estava lá sentado veio puxando papo comigo… Ficamos lá o que me pareceu uns 30 minutos e o nosso papo só me confirmou o que eu já achava. Sujeitos legais estes. Vivem de um lado pro outro, vivendo do que eles conseguem produzir de sua pequena manufatura artesanal e realmente não estão nem aí se alguém acha isso estranho. Percebi que este ostracismo que nos ocorre ao dirigirmos nosso pensamento para eles está apenas em nossas cabeças pois eles estão lá por pura ideologia. E ele falava comigo como se eu fosse diferente, apenas por conversar com ele e não tratá-lo com essa exclusão, dava pra perceber porque ele sempre se referia aos outros como “eles”. Ainda bem que pra ele eu não estava incluído neste “terceiro do plural”, embora ele insistisse em me chamar de doutor. Tristeza.

Acaba que a exclusão que estes hippies sofrem pela sociedade se torna uma faca de dois gumes, pois quem se sente excluído tende a afastar-se daqueles que o fazem aumentando ainda mais o abismo que separa as diversas “tribos” existentes por aí. E eu que já sorri pro abismo, só não esperava que ele fosse sorrir de volta, aumentando o meu desespero e angustia que dilacera os ânimos e qualquer esperança de um futuro pacífico. Me despeço deixando um poema do André, que completa as palavras de uma forma mais lírica, a que eu me refiro.

Mar adentro vou num barco a velas
E o escuro é que me oferece proteção
O sopro da gaita e um sol no violão
Dão tom a minha noite e a minha estranha solidão
Calado, assisto apenas a essa harmônica colisão
e com um sorriso no rosto vejo que me corrói
A falta de coragem
E o excesso de idéias
onde a esperança se destrói

e eu que gritava liberdade
segurando as grades do portão
eu gritava liberdade
e ninguém sabia que a grade
me cortava o coração
tanto desejei, já até sonhei demais
com uma
revolução
mas já sei, vão dizer
com uma andorinha só, já não se faz verão

Ainda sob o barco a gaita e o violão
olhei para atrás e quis voltar então
Descobri ,’sozinho ’que  a vida
é a pura e simples escravidão
e a felicidadenão dá a mão a quem
vai ao mar buscar a solidão
Aqui eu me despeço
Ass.: Eterno navegante da
ilusão.

(André Martins)

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