Arquivo para julho \30\UTC 2009

Minueto

Só no silêncio de minha mente consigo encontrar as palavras a que recorrer quando a saudade aperta no peito….sei que as coisas ruins acontecem com mais frequencia que as coisas boas, por isso o mundo é tão intolerante, inoxavelmente perverso com uns e generoso com outros. Fico sem saber, todavia, se verei de novo certas pessoas que estão por aí pelo mundo seguindo egoísticamente suas sublimes escolhas. Não culpo ninguém de nada, pois nós como seres racionais sabemos nos cuidar e também acho que deveríamos nos desligar de sentimentalismo exacerbado. Mas sozinho não se deveria seguir até o fim de seus dias aqui, como diria Alexander Supertramp. Apelos em blog não são do meu feitio, mas posso me dar ao luxo de desabafar sentimentos….por mais íntimos que sejam.

Monócromo

Descobri que tudo o que permeia as coisas boas da vida pode ser escrito em uma partitura de um bolero, começando em uma clave de sol e terminando em barra dupla, mas as pessoas preferem o barulho da selvageria urbana. Buzinas de automóveis são a marcha fúnebre da angustia de escravos.  Até túmulos são roubados por ladrões de tumba…. e dizem que os mortos descansam em paz.  Por favor, quando eu morrer, junte todas as minhas coisas pessoais e queime em um fogo bem alto. O que for impessoal doe para alguém que precise. Dê meu violão para o meu herdeiro e jogue o meu corpo no mar, pois eu prefiro ser comido por tubarões a assistir de baixo a loucura insana destes destruidores de sonhos.

clave-de-sol

Quando?

Ainda me lembro, como se fosse amanhã, daquela rua em que brincava enquanto criança, com pouco mais de 8 anos. Belas tardes de outono foram …. O clima era sempre agradável; O sol brilhava forte mas a sombra das árvores de ipês amarelos nos escondia de seus raios fúlgidos…de vez em quando, uma brisa forte e gelada nos acariciava o rosto e nos dava arrepios…que saudade.
Hoje, em minha mesa de escritório, fico me lembrando das crianças que também brincavam em nossa rua com seus cães. Eu não tinha um cachorrinho, mas também não desejava ter um…ao troco disto, gostava de brincar que eu era um pintor…eu descia com um cantil de água, um pequeno pincel e ficava molhando os muros pichados de minha rua…nunca apreciei a pixação, e ficava imaginando que eu deixava os muros todos pintados, da cor que minha cabeça imaginasse.  amor as causas perdidasQuem passava na rua e via um garotinho com um pincel na mão molhando o muro, certamente deveria pensar que eu era lunático e Talvez eu fosse apenas uma criança esperançosa, e daquela rua onde eu morava, imaginava pintar o mundo todo de outra cor, queria um mundo mais verde, menos cinza…mais azul e menos preto…princípios de uma ideológica causa quase perdida…..

outono