Arquivo para junho \18\UTC 2009

Família

familia

weird foresight

Sometimes I lie awake at night and I ask, “Why me?”, then a voice answers “Nothing personal, your name just happened to come up.”

As novas leituras de Dom Quixote

Dom quixote, personagem do livro de cervantes

Dom quixote, personagem do livro de cervantes

É por amor às causas perdidas que eu jogo embalagens no lixo, apesar de olhar ao meu redor e ver tanta poluição, tanto descaso com o nosso planeta. Não é somente para não poluir, mas é que a sujeira é tão feia comparada com a beleza de um mundo verde que eu acho que fomos perdendo a sensibilidade com o passar do tempo….

É por amor às causas perdidas que eu gosto de tudo o que é velho, inclusive os velhos, pois negar as nossas origens, é negar o que somos, então temos de aprender a respeitar e a amar os mais velhos que a gente (especialmente nossos pais), dando-lhes um espaço em nosso mundinho egoísta e tecnologico, portanto sempre cedo meu lugar a pessoas mais velhas nos ônibus, homens ou mulheres, que seja. Fico triste em reparar que andando pela cidade encontro jovens como eu que só ajudam ou facilitam a vida de mulheres de certa beleza estética, o que prova como nós seres humanos somos hipócritas…..

É por amor às causas perdidas que eu continuo escrevendo textos críticos como esse no lugar de escrever sobre coisas que as pessoas acham realmente importantes; como os “affairs” dos famosos de Hollywood. Acredito, acima de tudo, que mesmo que não tenha ninguém pra ler minha besteira, vale a pena expressar pensamentos, pois Shakespeare já dizia que depois de algum tempo você aprende que falar pode aliviar dores emocionais e eu acredito que alguém algum dia pode se interessar em saber que alguém realmente se importava……..

É por amor às causas perdidas que eu aguento a opressão imposta a mim pelo capitalismo destruidor de almas, e enfrento honrosamente a jornada de trabalho e estudo, pois a vontade que tenho é de mochilar até algum cantão neutro da Suíca e deixar o circo pegar fogo aqui, pois locomover-se é muito fácil, basta andar até aonde a estrada te leva, e um pouco mais adiante, e quando tiver fome, arranja algo no mato pra comer…só nao pense que eu sou apenas mais um acomodado pacífico…é que se eu não ficar e lutar, talvez ninguém mais fique, e tudo aquilo que eu sonho seja para o meu sempre apenas um sonho….

É por amor as causas perdidas que gosto de ser brasileiro apesar de viver em país tão desigual, aonde temos poucos muito ricos, e milhões de pessoas que pensam no amanha sem esperança.

É por amor às causas perdidas que eu converso com mendigos, “tomadores-de-conta de-carro”, “formiguinhas da limpeza” e “pivetinhos no sinal”, afinal, está cada dia mais escasso o número de pessoas que os consideram seres humanos, e lhes deêm um mínimo de atenção que é o que todos precisam, basta escutar-lhes um pouco, realmente ouvirem o que eles tem a dizer ( eu garanto, por experiencia que a maioria nos ensina valiosas lições se não formos tolos o bastante para julga-los inferiores).Tenho muito pouco, mais preciso de muito menos do que tenho para fazer um ser humano sorrir, nem que for por um instante, fazer-lhes esquecer a amargura da vida e vislumbrar um horizonte feliz..

Dom Quixote era um pequeno fidalgo castelhano que perdeu a razão pela leitura assídua dos romances de cavalaria e pretende imitar seus heróis prediletos. O romance narra as suas aventuras em companhia de Sancho Pança, seu fiel amigo e companheiro, que tem um perfil mais realista. A ação gira em torno das três incursões da dupla por terras de La Mancha , de Aragão e de Catalunha lutando contra moinhos-de-vento acreditando que fossem dragões e sempre procurando donzelas em perigo. Nessas incursões, ele se envolve em uma série de aventuras, mas suas fantasias são sempre desmentidas pela dura realidade. O efeito é altamente humorístico.
O verdadeiro nome do pobre fidalgo é Alonso Quijano (Quixano), chamado pelos vizinhos de o Bom. Já de certa idade, entrega-se à leitura desses romances e sua loucura começa quando toma por realidades históricas indiscutíveis as façanhas dos personagens dos livros, as quais comenta com os amigos, o cura e o barbeiro do lugar. Quijano investe-se dos ideais cavalheirescos de amor, de paz e de justiça, e prepara-se para sair pelo mundo, em luta por tais valores e por viver o seu próprio romance de cavalaria. Escolhe um título para si mesmo, o de Don Quijote de la Mancha, apelida um cavalo velho e descarnado com o nome de Rocinante e elege como dama ideal de seus sentimentos uma simples camponesa a quem dá o nome de Dulcinea del Toboso, suposta dama de alta nobreza.

Durante grande parte do meu dia me sinto como Dom Quixote ao tentar reviver a gloria dos velhos dias que nunca tive, tentando lutar contra a obsolecência programada que é aceita pacificamente pela massa. Pode até ser que os dragões sejam moinhos de vento mas por amor às causas perdidas eu continuo a lutar…

Vandalismo, pichações, escandalos, corrupção, pobreza, fome, desemprego, roubo, dogmas religiosos, assassinatos dentre outros não estão na lista de preocupações dos meus falsos amigos que veem as amizades como uma grande rede social com interesses camuflados, nem que sejam puramente ideológicos. Ainda assim luto para que essas pessoas comecem a se importar mais com o mundo em que vivemos e torço para que você também seja mais um que luta por amor às causas perdidas.

amor as causas perdidas

bar ruim é lindo, bicho

Bar ruim é o que há

Bar ruim é o que há

Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem). No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura. “Ô Betão, traz mais uma pra gente”, eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins,que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gateau e não tem frango à passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda. A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma punheta ali mesmo. Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim. Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse. O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevete e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo. Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo. Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato. Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se fodem, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz. Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, no Brasil! Ainda mais poque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelo Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gateau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim Câmara Cascudo, saca?). — Ô Betão, vê um cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem? (Antônio Prata)

A donzela

a donzela

Uma donzela estava um dia sentada á beira do riacho deixando a água do riacho passar por entre os seus dedos muito brancos, quando sentiu o seu anel de diamante ser levado pelas águas. temendo o castigo do pai, a donzela contou em casa que fora assaltada por um homem no bosque e que ele arrancara o anel de diamante do seu dedo e a deixara  desfalecida sobre um canteiro de margarida. o pai e os irmãos da donzela foram atrás do assaltante e encontraram um homem dormindo no bosque e o mataram, mas não encontraram o anel de diamante. e a donzela disse:

AAAA+A+donzela – agora me lembro, não era um homem, eram dois:

e o pai e os irmãos da donzela saíram atrás do segundo homem e o encontraram, e o mataram, mas ele      também não tinham o anel. e a donzela disse:

– então está com o terceiro!

e o pai e os irmãos da donzela saíram no encalço do terceiro assaltante, e o encontraram no bosque.          mas não o mataram, pois estavam fartos de sangue. e trouxeram o homem para a aldeia, e o revistaram e encontraram no seu bolso o anel de diamante da donzela, para espanto dela.

– foi ele que assaltou a donzela, e arrancou o anel de seu dedo e a Deixou desfalecida – gritaram os aldeões. – matem-no!

– esperem! – gritou o homem, no momento em que passavam a corda da forca pelo sue pescoço. – eu     não  roubei o anel. foi ela que me deu! E apontou para a donzela, diante do escândalo de todos.

o homem contou que estava sentado à beira do riacho, pescando, quando a donzela se aproximou dele e pediu um beijo. ele deu o beijo. depois tirara a roupa e pedira que ele a possuísse, pois queria saber o que era o amor. mas como era um homem honrado, ele resistira, e dissera que a donzela devia ter paciência, pois conheceria o amor do marido no seu leito de núpcias. então a donzela lhe oferecera o anel, dizendo “já que meus encantos não o seduzem, este anel comprará o seu amor” . e ele sucumbira, pois era pobre, e a necessidade é o algoz da honra.

todos se viraram contra a donzela e gritaram: “rameira! impura! diaba!” e exigiram seu sacrifício. e o próprio pai da donzela passou a forca para o seu pescoço.

antes de morrer, a donzela disse para o pescador

– a sua mentira era maior que a minha. eles mataram pela minha mentira e vão matar pela sua. onde está, afinal a verdade?

o pescador deu de ombros e disse:

– a verdade é que eu achei o anel na barriga de um peixe. mas quem acreditaria nisso? o pessoal quer violência e sexo, não histórias de pescador

(Luís Fernando Veríssimo)

Tem algo sobre a chuva que me deixa mais tranquilo

Tem algo sobre a chuva que me deixa mais tranquilo. Não sei se é paranóia minha, pode ser que seja mesmo, mas através da janela embaçada do metro, a chuva contrastada com o cinza da massa urbana, me passa uma sensação de conforto mesclado com felicidade. O maior defeito do ser humano é ter uma vida tão curta, porém, dependendo do ponto de vista, uma vida curta como a nossa, de 70 a 80 anos, é longa o bastante para sermos chamados por todos de velhos, mas se pararmos para pensar por instantes, vemos que somos apenas crianças, em todos os sentidos, não importando a idade, pois há árvores que vivem milênios a fio, e morrem por causas extraordinárias à sua existência. Quando digo defeito, é pelo fato de que viver pouco tempo faz com que se crie dentro de nós uma plena sensação de que tudo dura para sempre, pois nunca vivemos tempo o bastante para ver os resultados das causas maiores pelo que lutamos. Por isso, quando perdemos alguém de repente, nossas vidas se agitam como uma tempestade marinha, e nossos corações recebem feridas que levam décadas para cicatrizarem-se. Achamos que nossas mães vão estar ali pra sempre, para nos fazer a comida que mais nos agrada, e descobrimos que não é bem verdade. Pensamos que o tempo é infinito, mas nos esquecemos que o infinito não deve ser contado, portanto esquecemos que o tempo passa para nós, e que o mundo não gira assim tão devagar. E por esse desleixo causado pela monotonia dos fatos, tornamo-nos preguiçosos, inertes à nossa resumida existência, tentando sempre fazer com que melhoremos ao máximo nosso estilo de vida, e paramos de preocuparmo-nos com os problemas que nós mesmos causamos ao resto da matéria à nossa volta. Consumimos sem freios, jogamos lixo nos mares, destruímos a camada de ozônio, e todos esses problemas ecológicos que estamos cansados de ver na televisão, revistas e jornais, pois sabemos que vamos morrer em breve, e que a previsão para que os problemas comessem não serão nosso problema, e talvez, nem dos nossos filhos. Mas nos enganamos quando pensamos que tudo dura pra sempre, e que o planeta terra está em uma má fase, mas que vai se recuperar sozinho. Na ótica de que a terra é um ser vivo, todos nascem para morrer, mas algumas mortes são causadas por negligência, e se formos pensar direito, estamos negligenciando o fato que a terra já começou a morrer a muito tempo, pois estamos matando-a aos poucos e parecemos não nos importar; não me surpreendo do fato de que só existe uma ser racional no planeta, pois eu acho que observando a fracassada experiência, o criador não se arriscaria a prover um segundo e instaurar o caos total, pois destruímos racionalmente aquilo que irracionalmente foi criado, então me pergunto se a mente racional realmente é tão boa, e se estamos realmente preparados para guiar nossos corpos com a mente, e não com o instinto. As vezes, tenho certeza de que não sou um ser humano, pois seres humanos não podem ter a visão de que eu tenho do nosso planeta, e continuar agindo do jeito que já fazem. Como um planeta pode ter tantas pessoas tristes, e tanta beleza ao mesmo tempo? Como as águas azuis-piscina do caribe não fazem com que nos sintamos um pouco mais solidários, e queiramos que o mundo todo compartilhe de nossa visão? Como os homens acham uma grande metrópole bonita e destroem as florestas antigas com uma incrível biodiversidade para criar gado ou algo similar? Seria eu, um extraterrestre que voltando de uma longa viagem, viu algo a mais do que aqueles cujos olhos já estão acostumados? Ás vezes me pergunto… juro que não escrevo com a intenção de dar uma moonlição de moral em governantes ou algo do tipo, mas é que eu acho que algumas pessoas compartilham o meu pesar, e também gostam da chuva, assim como eu. Devem ser ETs também. Um discurso que realmente me desagrada, é quando os líderes de vocês, de suas pátrias, falam sobre progresso e desenvolvimento, mas principalmente progresso.

Olhando no Dicionário, a palavra “progresso” nos remete aos seguintes significados:

progresso sm (lat progressu) • 1 Marcha ou movimento para diante.

• 2 Curso, seguimento de uma ação de eventos, do tempo etc.: Os divertimentos não prejudicavam o progresso dos seus estudos.

• 3 Adiantamento cultural gradativo da humanidade.

• 4 Melhoramento gradual das condições econômicas e culturais da humanidade, de uma nação ou comunidade: Incentivam o progresso dos países subdesenvolvidos.

• 5 Filos Marcha numa direção definida.

• 6 Filos Transformação gradual que vai do bom para o melhor.

• 7 Crescimento, aumento, desenvolvimento: O progresso da indústria.

• 8 Adiantamento, aperfeiçoamento ou melhoramento contínuos.

• 9 Vantagem obtida; bom êxito

Quando falamos em progresso, somo mesmo masoquistas, pois, se destruir as florestas para construir fábricas e exterminar espécies inteiras, quando poderíamos ajudar a as preservar é uma “transformação gradual que vai do bom para o melhor”, realmente estamos progredindo. Mas se formos considerar que progresso é uma “marcha numa direção definida”, como citado acima,. eu digo que é tudo uma grande mentira, e é nesse aspecto que fico muito triste, pois o ser humano nem sabe pra onde vai, e se você não tem uma direção certa pra ir, como você pode saber quando você estã chegando? E se você não sabe quando você está chegando, como pode saber se está progredindo ou não? O fato é que apesar de todas as religiões e crenças, a humanidade como um todo realmente não sabe aonde vai para depois da morte, e muito menos de onde veio e principalmente porquê veio. Se realmente soubéssemos, não temeríamos tanto a morte. Então, este papo de progresso pra mim é pura hipocrisia, e na minha leiga opinião, estamos é regredindo mesmo, literalmente andando pra trás. Fazendo uma pequena retrospectiva histórica, Quando todos achavam as florestas medievais bonitas, essas foram derrubadas para dar lugar as pequenas vilas, que com o aumento da população, foram se solidificando e dando lugar aos feudos, que viam essas vilas simples lugares muito bonitos (provavelmente). Com o surgimento dos estados e a revolução industrial, as cidades se transformaram de forma que aqueles feudos e reinos com seus castelos e monastérios fossem substituídos por grandes metrópoles como Londres, que por sua vez ganhou high tech, asfaltos, ônibus de dois andares e muitas outras tecnologias, que fizeram com que quando nos voltamos a contemplar o passado, vemos uma Londres romântica, aonde os homens andavam elegantes com suas boinas, ternos, cartolas e bengalas; aonde Jack estripava prostitutas com precisão cirúrgica. Quem nunca sonhou em reviver o passado? “Quem nunca usou a frase: eu era feliz e não sabia”? E ainda falam que estamos progredindo, que estamos em um “adiantamento, aperfeiçoamento ou melhoramento contínuo” e sobretudo, em um “adiantamento cultural gradativo da humanidade”. Ao meu ver isso se chama regresso e quanto mais eles regridem, mais eles tem a sensação de que andam pra frente. Os governantes hoje já sabem que chegamos a um ponto que temos que repensar a nossa existência na terra, e pararmos de poluir os nossos rios e mares, nossos céus e nossas florestas, mas falar que temos que parar é muito fácil. O difícil mesmo é arrumar alternativas que nos façam parar de destruir o que não criamos, e ao mesmo tempo perpetuar a espécie sem danos. Enquanto vamos pensando nessa solução, vamos poluindo, continuamos matando, queimando e destruindo. Na minha opinião, tem gente demais no planeta, e se quisermos sobreviver coexistindo com as outras espécies, temos que fazer sacrifícios. Não estou, de forma alguma, falando em extermínio de pessoas, pois a idéia de matar até o mais sádico ser humano me desagrada; mas acho que deveríamos parar de reproduzirmos como uma praga e deixarmos as cidades, morar no campo, vivendo do que a terra pode nos fornecer. Só assim, daríamos uma chance para o planeta respirar aliviado da pressão humana, e começar a recuperar-se, adiando um pouco mais o nosso tempo, se é que merecemos tal ato. O planeta morrerá em alguns milhões de anos, quando o sol estiver quente demais, e aí sim, a humanidade vai viver sem lar. (provavelmente vamos até achar a terra poluída do jeito que era um lugar maravilhoso quando olharmos para o vazio escuro do espaço). Se me perguntarem por que eu não luto contra tudo isso, eu diria que é porque não adianta, não porque eu não tenho esperança de mudança, ou porque eu sou pessimista,. Mas é que o que o mundo me levou a acreditar, é que vivemos em um sistema capitalista inevitável. Cruel, mas fixo, sólido, inalterável. Como eu disse antes, só acontecimentos drásticos mudam a visão do homem, e enquanto não houver uma catástrofe mundial, o capitalismo desenfreado vai continuar existindo, e não importa o que façamos, ele não mudará, pois, lutar contra o capitalismo, é como lutar contra a gravidade; você pode até não aceita-la, mas isso não muda o fato de que ela está ali, e não importa o que você faça ela “vai” te puxar pra baixo, a não ser que você saia da terra e esse sistema vai comprando e jogando fora, comprando e jogando fora, fazendo com que o lixo vá poluindo nosso ar, matando nossas raríssimas florestas, e tudo que levou milhões de anos pra se construir. Toda essa sujeira que o homem capitalista faz me deixa muito triste, mas algo sobre a chuva me deixa mais tranqüilo, vai ver é porque quando chove, eu tenho a sensação de que a terra está chorando, e misericordiosa, ainda nos fornece água, que alimenta nossa lavoura e enche os nossos rios. Quando chove, parece uma tentativa desesperada do céu de lavar nossa sujeira, de lavar nossas almas, pois, em outro planeta cai água em estado líquido do céu? E as pessoas ainda amaldiçoam quando chove, xingam os céus quando a chuva destrói tudo o que elas construíram, mas eu me pergunto: quem veio primeiro? Elas ou a chuva? Se vivessem na natureza, não teriam inundações, e mesmo se tivessem, não se importariam de perder, porque o que a terra tira, a terra dá. Se vivêssemos todos entre as árvores, entre os animais, em harmonia com o planeta, celulares não seriam tão importantes. Mas tudo isso que eu digo não faz nenhum sentido, afinal, sou só um ET que gosta de chuva, e que realmente, realmente se importa com vocês.

O Castelo de Areia

Em janeiro fui a Cabo Frio, uma cidade no estado do Rio de Janeiro para passar o Réveillon com a minha namorada e sua família, tomando um banho de mar, distraindo um pouco do trabalho, enfim, saindo um pouco da frente do computador pra variar. Lembro-me que um fato ocorrido na areia da Praia do Forte, para o qual eu não liguei de imediato, mas que depois me deixou pensando um bocado, pensando tanto que me revelou um modo diferente de ver a vida.

Eu estava sentado debaixo do nosso guarda-sol, pois o sol estava muito quente, tão quente que eu não tinha nem vontade de ficar no mar, e o calor foi me deixando um pouco mal-humorado. Minha namorada foi fazer uma caminhada com sua mãe e eu fiquei lá sentado meditando na minha irritação e na minha vontade de voltar pro hotel. No guarda-sol ao lado do nosso, havia um menino que aparentava uns quatro pra cinco anos de idade.  Eu o fiquei observando durante uns trinta minutos a brincar com a areia. Aos poucos, vi que ele ia moldando um imponente castelinho de areia, com todo o cuidado pra não desmoronar. O menino fazia caretas de concentração a cada passo que o castelinho ia ficando mais alto. De vez em quando, parte do castelinho que não estava bem arquitetada caía, mas ele ainda sim não desistia, construía tudo de novo. Passada a construção, o menino tirou pra fora um estojinho com muitos bonequinhos de ação, e começou a brincar com eles no seu castelo, que agora parecia uma bruta fortaleza de areia. Ele ficou entretido com a brincadeira por uns 20 minutos, até que de repetente, alguém que jogava bola, deixou-a escapar e ela foi cair bem em cima do castelinho. O menino fechou a cara de vez, mas quando eu achei que ele fosse chorar, ele se colocou a construir o castelo novamente, a partir do que havia sobrado da estrutura. Quando vi a cena, fiquei muito intrigado com a perseverança do menino, e como eu estava perto dele, lhe perguntei: – por que você constrói o castelo, se daqui a pouco vão derrubar novamente? – O menino, me olhou com espanto, pois não sabia que estava sendo observado por mim. – Eu faço o meu castelinho pra eu poder brincar, se depois eles derrubarem, não tem problema, não vai ser por isso que eu vou deixar de brincar… – disse-me o menino.

Voltei para o hotel, e para minha surpresa, recebi uma ligação do trabalho, dizendo que precisavam de mim no dia seguinte. A viagem era longa, e como estava chovendo, o tempo de viagem aumentaria ainda mais, pois a estrada era traiçoeira e cheia de curvas, fazendo com que o motorista fosse mais cauteloso. A viagem foi lenta, e por sorte eu havia levado um livro, que eu levei cerca de 70% da viagem para ler. Quando acabei o livro, fiquei olhando a paisagem por fora da janela, observando a chuva. Não sei por quê me pus a pensar sobre a criança do castelo de areia; sobre a resposta que havia me dado.

…Eu faço o meu castelinho pra eu poder brincar, se depois eles derrubarem, não tem problema, não vai ser por isso que eu vou deixar de brincar… Não sei porque fiquei intrigado com o menino, pois ao refletir um pouco, percebi que a nossa vida é como a construção de um castelinho de areia na praia. Começamos, por não ter mais o que fazer, a moldá-la. Dedicamos todo o nosso tempo para fazer com que ela se torne cada vez melhor. Tentamos sempre sermos mais fortes, mais resistentes, mais sábios, mais cultos, e alguns até mais burros, dependendo de suas aspirações do futuro. Muitas vezes, quando achamos que estamos só progredindo no nosso castelinho de areia, sempre tem alguém que chuta a bola bem em cima. O que a maioria de nós faz, é ficarmos muito tristes, deixar o castelinho de lado e ir brincar de outra coisa… Mas alguns, começam de novo, e acabam por fazer um castelo de areia mais forte e mais sólido que o anterior. E realmente, o molequinho estava certo quando ele disse que se depois eles derrubarem, não tem problema, afinal, o que na vida dura pra sempre?? Tudo o que o homem constrói é um castelo de areia, fadado a tomar uma bolada a qualquer momento, mas se não arriscarmos, nunca veremos o nosso castelo de pé, e nunca brincaremos com os nossos soldadinhos.